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Novo assassinato por conflito fundiário provoca reação no Maranhão

João de Deus

Agora, aconteceu no município de Arari. Foi mais uma tragédia. Mais uma barbaridade, ocorrida no Maranhão, por conta de conflito de terra.

João de Deus estava marcado para morrer. Ele já havia sofrido uma tentativa de homicídio, no ano passado. E o conflito era sabido por todos, incluindo as mais diferentes autoridades públicas.

E assim, na última sexta-feira (29/10), no começo da noite, por voltas das 19h, no povoado Santo Antônio, em Arari, mataram João de Deus Moreira Rodrigues, conhecido como Conzinhado.

Foi mais um crime de encomenda. Dois pistoleiros, numa moto, executaram o camponês, em frente a sua casa. Sobre o conflito que a vítima estava envolvido, consta que há um inquérito, na delegacia regional de Viana…

Desenvolvimento?

O Censo de 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmou que o Maranhão seguiu sendo o estado brasileiro com a maior popular rural. O Estado é também a região onde o agronegócio, latifúndio e grilagem atuam com muita intensidade.

Estamos falando de gente endinheirada, incluindo enclaves econômicos, articulada com a estrutura oligárquica maranhense (a elite local), que invade as diferentes regiões do estado, matando de fome, de sede, de bala, com veneno, por asfixia.

O problema pode ser nacional, mas o caso maranhense tem suas especificidades, tendo sido objeto de inúmeras pesquisas, livros, debates.

Enquanto a elite local, subserviente, fala em “desenvolvimento”, as diferentes forças sociais, que resistem a invasão, perguntam: “desenvolvimento pra quem?”

No meio desse divergência, existe um banho de sangue. É um processo histórico que junta milhares de vítimas, algumas bem conhecidas (Manoel da Conceição e Padre Josimo), a maioria de pessoas “anônimas”.

Hoje, essa guerra contra camponeses, agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais, infelizmente segue viva.

E sem qualquer receio de cometer injustiça, podemos definir a turma do agronegócio, do latifúndio e da grilagem, como ladrões, assassinos e invasores. Ao pé da letra, é exatamente isso que eles são.

Um horror

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Maranhão convocou uma reunião hoje (01/11), para tratar especificamente deste assunto. Segundo Marta Bispo, Secretaria Executiva da CNBB, “a situação é vista com horror”.

O caso João de Deus, associado a sequência de crimes, provocou e segue provocando indignação e reação.

Além da mobilização da CNBB, outras organizações se manifestaram publicamente, entre elas Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Maranhão (Fetaema) e o Sindicato dos Professores da Universidade Federal do Maranhão (Apruma).

O que fazer?

Após a morte de João de Deus, as cobranças de algumas entidades estão sendo endereçadas diretamente a figura de Flávio Dino, o governador do Estado.

No sábado, 30 de outubro, dia seguinte ao assassinato de João de Deus, a Fetaema propôs ao governo do Maranhão, em um vídeo divulgado nas redes sociais, que seja feito um decreto, que institua uma força tarefa, para combater essa escalada de violência.

Edmilson Costa foi o dirigente da Federação encarregado de fazer a proposta pública. Ele propôs a força tarefa, citando assassinatos ocorridos nos últimos quatro meses, nos municípios de Junco do Maranhão (Reginaldo Alves e Maria da Luz), Arari (Antônio Gonçalves), Codó (José Francisco de Araújo), além do caso de João de Deus.

Um relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), no último dia 19 de outubro, revela que o Maranhão é o segundo estado brasileiro com mais conflito agrários. Há vários anos, o Maranhão vem se posicionando, entre o primeiro e o segundo lugar, neste triste ranking.

Dez dias após a divulgação desse relatório da CPT, João de Deus foi executado, na porta de sua casa…

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