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Quebradeiras de coco se organizam para lutar em favor da vida

Da Agência Tambor
Por Paulo Vinicius Coelho
18/08/2021
Foto: Divulgação

Ontem (17), o Jornal Tambor conversou com Maria Alaides, coordenadora geral do Movimento Interstadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). Ela falou dos problemas enfrentados pelas quebradeiras durante a pandemia e os desafios do movimento.

VEJA ABAIXO A ENTREVISTA

O MIQCB atua no Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Maria Alaíde conta que o cenário difícil da pandemia não impediu o movimento de se organizar e continuar na luta.

Com um protocolo sanitário baseado nas recomendações da OMS, as quebradeiras continuaram tirando coco, azeite, sabão e desenvolvendo outras atividades. O movimento também distribuiu máscaras, álcool em gel e cestas básicas.

Mesmo com a persistência, as quebradeiras relatam dificuldades. Maria Alaídes destaca os cortes em programas sociais como a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM-Bio) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). As feiras para circulação dos produtos também foram prejudicas.

A morte de quebradeiras, o aumento da fome, o avanço da violência doméstica e psicológica, os problemas para lidar com os filhos fora da escola também foram mencionadas pela coordenadora do MIQCB.

Além disso, as ameaças e a destruição da natureza impostas pelo agronegócio preocupam as quebradeiras. Diante desse cenário, Maria Alaídes questiona ‘’como continuar na terra, continuar sendo extrativista e renovar os conhecimentos tradicionais?’’

A coordenadora do MIQCB avalia a Suzano como uma grande desmatadora e poluidora. Segundo Maria, a empresa tem sido um empecilho para a regularização dos assentamentos onde as mulheres quebradeiras de coco atuam.

Apesar disso, ela assegura que as quebradeiras continuam reivindicando a preservação dos seus territórios.

O MIQCB e outros movimentos sociais estão propondo uma nova Lei de Terras para o Maranhão. Maria Alaídes aponta que a proposta favorece o extrativismo, a comercialização e a produção das quebradeiras de coco.

A coordenadora do movimento enfatiza que as quebradeiras de coco também foram vítimas do genocídio executado por Bolsonaro. Além do descaso na pandemia, ela cita a retirada de direitos trabalhistas, a inflação e o consequente aumento do preço da cesta básica e do gás.

Ex-vereadora em Junco do Maranhão, na região do Médio Mearim, Maria Alaides reitera que a Lei do Babaçu Livre, que proíbe a derrubada de palmeiras no Maranhão, precisa ser cumprida. Ela acredita que a legislação é importante não só para a preservação das palmeiras e das pindobas, mas também para a proteção da vida das mulheres e de todos os povos e comunidades tradicionais.

Edição: Emilio Azevedo

Veja abaixo, em nosso canal no YouTube, o Jornal Tambor, incluindo a entrevista Maria Alaides.

Ouçam pela plataforma Spotify, a entrevista de Maria Adelaide ao Jornal Tambor.

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