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Cineasta critica política cultural do governo Flávio Dino

Agência Tambor

12/12/2019

“A festa, em si, eu acho que é importante. Mas o que me preocupa é que Política Cultural no Maranhão está se resumindo a eventos, a festa”, declarou o cineasta maranhense Beto Matuck, em entrevista nesta quinta-feira (12) à Agência Tambor.

Num ambiente onde poucos ousam reclamar publicamente, Matuck fez um recente texto publicado nas redes sociais e, na entrevista para a Tambor, também criticou a atual atuação da Secretaria de Estado da Cultura (SECMA).

Os pontos mais criticados pelo artista foram a falta de diálogo do Governo do Maranhão com a classe artística e de transparência em relação aos projetos culturais. “O que eu sinto falta é de um projeto para a cultura. (…) A gente não sabe qual é o orçamento da cultura, a gente não sabe qual é a proposta para desenvolvimento cultural do Estado”, pontuou.

Em julho deste ano, o governador Flávio Dino mudou de cargo o então secretário de Cultura do Maranhão, Diego Galdino, o transferindo para secretário de Governo; e, desde então, quem assume a SECMA é Anderson Lindoso, anteriormente secretário adjunto da Educação.

“Todos os secretários desse último governo são inexpressivos. São pessoas que estão alí mas não têm informação técnica, não têm conhecimento sobre a cultura no Maranhão”, disse. “Eles ficam escondidos dentro de um gabinete. (…) Em momento nenhum, nenhum dos dois secretários [Diego Galdino e Anderson Lindoso] abriu espaço para um diálogo direto com a classe artística e os produtores culturais que estão aí, solicitando isso há um tempo.”

O cineasta ressalta saber da importância de haver festas para a população, mas que a função do Governo na área não pode se resumir a isso. “É um modelo que a gente vê em todos os interiores do Maranhão. O prefeito, quando entra, a primeira coisa que ele contrata é a empresa que vai fazer as festas durante o ano todo”, comparou o artista.

Embora admita que a Lei Estadual de Incentivo à Cultura seja uma boa iniciativa, Matuck denuncia que a escolha de projetos passou a ser enviesada. “O Estado, hoje, é dono da lei. Ele é que determina quem vai ser financiado e quem deixa de ser”. O conselho previsto na Lei para julgar os projetos, segundo ele, não funciona. Beto conta que, em visita a um dos financiadores da Lei, lhe foi dito que “o dinheiro só iria ser liberado se o governador permitisse”.

A Agência Tambor convidará o Secretário de Cultura do Maranhão, Anderson Lindoso, para se manifestar sobre as críticas citadas na entrevista acima.

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