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Quem realmente se importa com vida ou morte do povo maranhense?

Lançamento do caderno de conflitos no campo no Brasil em 2021 | Foto: Danielle Louise/Agência Tambor

Estamos às vésperas de uma eleição muito importante para o futuro do Brasil, país onde é perceptível um crescente ambiente de violência…  

E hoje, dia 10 de maio, a Comissão Pastoral da Terra no Maranhão lançou em São Luís o caderno de conflitos no campo, levantamento anual da entidade, com registros de assassinatos, de casas queimadas, espancamentos e outras formas de ameaças, truculência e barbárie.  

A data escolhida para este lançamento  (10 de maio) marca o aniversário da morte do Padre Josimo Tavares, integrante da CPT do Maranhão, que em 1986 foi covardemente assassinado a mando de fazendeiros (latifundiários, grileiros de terra). 

No evento de hoje estiveram presentes muitos que representam os antigos companheiros de Padre Josimo, o povo pobre do Maranhão, negros, quilombolas, indígenas, são povos e comunidades tradicionais, trabalhadores rurais, que vivem da terra. 

Hoje eles seguem sendo alvos de uma extrema direita assassina, mas também sofrem com a omissão e/ou violência de um estado dominado por uma estrutura oligárquica que se espalha pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além da mídia de mercado.    

A abertura do lançamento foi marcada com relatos de várias pessoas – quilombolas, indígenas – que resistem ao avanço do agronegócio em suas regiões. Dentre elas um casal que há 30 dias sofreu tentativa de homicídio em sua casa. A esposa foi espancada por homens que tentaram incendiar a residência. E o marido quase foi atingido por tiros de armas de fogo. Por sorte não o atingiram.

Os dois falaram emocionados na possibilidade de virarem estatística de um crime brutal no campo. Eles pediram que as autoridades públicas possam olhar para essa situação e agir, pois todos os moradores da comunidade são ameaçados constantemente. 

Já Marli Borges da Silva, da comunidade de quilombola Guerreiro, no município de Parnarama, falou que “o que está sendo destruído não é só nossa terra, mas nossa vida”. Para ela, o Maranhão prioriza o agronegócio e não a população do campo.

Dizer que no Maranhão existe uma situação trágica no meio rural parece que já não sensibiliza quem deveria se envolver diretamente na solução do problema. Hoje, no evento da CPT, o bispo católico Dom Valdeci diz que “o Estado, no âmbito federal e estadual, é responsável por crimes no campo”. O bispo afirmou que mesmo diante das tragédias é preciso “lutar pela vida e vida com dignidade”.  

O evento de hoje foi realizado no Iesma, o Instituto de Estudos Superiores do Maranhão, Faculdade teológica da Igreja Católica. Participaram da atividade, além da CPT, integrantes da Comissão Pastoral da Pesca (CPP), do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), dos Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão, da Caritas Brasileira e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Também estiveram presentes integrantes do MST, da CSP Conlutas e da Agência Tambor, que fez a transmissão ao vivo. 

(Veja, abaixo, no YouTube da Agência Tambor, o evento da CPT com a divulgação dos dados sobre a violência no campo no Maranhão)  👇👇🏾👇🏿

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