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Carta Aberta—Bioma Amazônico

Amazônia – Brasil, 06 setembro de 2021.

“Simplesmente a Amazônia continua escancarada e
indefesa à cobiça internacio- nal. Tem muito “olho de
boto” em cima da gente, das nossas riquezas, da nossa
biodiversidade. É “olho de boto no fundo dos olhos de
toda paisagem…”
Antônio Juraci Siqueira

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) neste dia 05 de setembro data em que se comemora o DIA DA AMAZÔNIA considerada a maior floresta tropical do mundo, com a maior biodiversidade do planeta e 60% de sua floresta contida no Brasil, vem denunciar os principais problemas acometidos ao bioma amazônico, assim como publicizar as ações do Plano nacional de plantio de árvores e produção de alimento saudáveis.

De acordo com o ibflorestas.org o Bioma Amazônico chega ocupar uma área de 4.196.943 Km², que corresponde mais de 40% do território nacional e é constituída principalmente por uma floresta tropical. A Amazônia é formada por distintos ecossistemas como florestas densas de terra firme, florestas estacionais, florestas de igapó, campos alagados, várzeas, savanas, refúgios montanhosos e formações pioneiras. Porém, conforme WWF a estimativa oficial é que aproximadamente 18% da Amazônia brasileira já tenha sido desmatada.

O desmatamento, as queimadas, a garimpagem (mineração), a pecuária e a biopirataria representam os principais problemas ambientais enfrentados pelo bioma amazônico. O conjunto formado por essas ações devastadoras é responsável por graves mudanças climáticas em todo o planeta, como o aquecimento global e a redução dos ciclos das chuvas, provocando um desequilíbrio nos ecossistemas e o surgimento de novas pandemias. Amazônia é considerada um grande “resfriador” atmosférico e como maior abrigo da biodiversidade do mundo, porém vem sofrendo graves riscos conforme pesquisas publicadas.

De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente (IMAZON), em publicação de 19 de agosto de 2021: “A Amazônia Legal perdeu 10.476 km² de floresta entre agosto de 2020 e julho de 2021, meses em que se mede a temporada do desmatamento. A taxa é 57% maior que a da temporada passada, além de ser a pior dos últimos dez anos”. A partir do monitoramento realizado, as informações são as seguintes: i) A Amazônia vem sendo devastada no maior ritmo dos últimos 10 anos; ii)Nos últimos 12 meses, a floresta perdeu uma área equivalente a nove vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro; iii) O acumulado é 57% maior ao desmatamento registrado no calendário anterior, de agosto de 2019 a julho de 2020, que foi de 6.688 km² de desmatamento; iv) O Pará foi o estado mais desmatado nos últimos 12 meses: 4.147 km², 43% a mais do registrado no calendário anterior; v) Em julho, o desmatamento registrado foi 80% maior que o de julho de 2020.

Os dados são alarmantes, conforme o IMAZON, pois no mês de julho desse ano, foram desmatados 2.095 km² da floresta, o que corresponde a uma área maio que a capital de São Paulo.

Os ataques a FLORESTA AMAZÔNICA, aos bens naturais, os quais não se restringem ao desmatamento, mas também a expansão da pecuária, das empresas de mineração e hidroelétricas são ações do capital que afetam/impactam diretamente o bioma e consequentemente a vida das populações, INDÍGENAS, CAMPONESAS, QUILOMBOLAS, RIBEIRINHAS, bem como as populações urbanas.

Desde o ano de 2016, os ataques e a destruição do BIOMA AMAZÔNICO cresceram significativamente, principalmente pelo retrocesso das políticas públicas e a falta de investimento a qual se intensificou com o atual governo. Diante da situação pela qual vivenciamos, o MST lançou no final de 2019 o PLANO NACIONAL “PLANTAR ÁRVORES, PRODUZIR ALIMENTOS SAUDÁVEIS”. A proposta é que em 10 anos, as famílias acampadas e assentadas Sem Terra e a sociedade em geral plantem 100 milhões de árvores em todos os estados do país.

O Plano tem como objetivo realizar a recuperação de áreas degradadas por meio da implementação de agroflorestas e quintais produtivos. Além disso, o projeto visa também denunciar as ações de destruição ambiental do agronegócio e da mineração. Além de construir no MST e na sociedade o entendimento que Reforma Agrária Popular é sinônimo de alimentação saudável, de cuidado com os bens comuns e com a natureza. Assim conclamamos toda a sociedade a SOMAR NESSA CAMPANHA DO PLANTIO DE ÁRVORES E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS SAUDÁVEIS em DEFESA DA VIDA E DA SOBERANIA POPULAR.

Povo Vivo, Floresta em Pé!

Fonte: Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra – MST

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