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Protestos no Chile: quais são as motivações e quem participa?

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Santiago. Foto: Reprodução

Via: Giovana Kury/Agência Tambor

Quais são os motivos dos protestos que estão acontecendo no Chile? Quem participa deles? Em que se assemelham aos outros movimentos da América Latina? O entrevistado desta segunda-feira (28) pelo TamborCast e Rádio Tambor foi o professor argentino de sociologia da Universidade Federal do Maranhão, Guillermo Alfredo, e ele contou os principais pontos acerca do tema.

Apesar de parecer banal, o aumento em 30 pesos da tarifa do metrô chileno – o correspondente a 20 centavos brasileiros – não foi a principal razão da onda de protestos que acontecem desde o dia 17 de outubro no país. Estudantes, que não presenciaram a ditadura de Augusto Pinochet, foram os que iniciaram as manifestações simbólicas contra o novo preço. Contudo, elas só tornaram-se os grandes atos que vemos hoje após a repressão violenta dos policiais.

Para o professor, foi este o estopim. “Então, se trouxeram outros elementos que estavam por muito tempo consolidados no Chile, como a privatização da vida”, conta, referindo-se às políticas neoliberais implantadas desde a ditadura militar e mantida pelos governos posteriores. Dentre as reivindicações, estão aposentadorias dignas, saúde acessível, melhores salários, educação, entre outros.

Um dos principais pontos é a previdência. O sistema de capitalização vigente no país prometia trazer benefícios. Entretanto, idosos recebem metade de um salário mínimo para sobreviver, o que aumentou o índice de suicídio entre esta população. “Este regime é o que Paulo Guedes [ministro da Economia do Brasil] têm colocado como modelo”, diz o pesquisador.

Outro ponto é o salário mínimo, que, se convertermos, custa cerca de 770 dólares mensais. Guillermo Alfredo explica: “por mais que se diga que a renda média é maior que a do brasileiro, ainda tem que pagar, no mínimo, 300 dólares por mês pra uma universidade pública e para a saúde, que é toda privatizada. No Chile, só tem atendimento médico quem pode pagar”.

No dia 20, o presidente Sebastian Piñera já havia decretado estado de emergência e toque de recolher. Hoje, oito dias depois, contam-se 19 mortos pelo exército e milhões de manifestantes nas ruas – mesmo depois de o presidente ter voltado atrás na tarifa e proposto uma série de benefícios sociais.

Segundo o professor, a violência estatal é esperada no neoliberalismo que, por sua vez, é isento de democracia. “Ninguém aceita perder direitos, ficar cada vez mais pobre. Só é possível levar essas mudanças adiante com um terror do Estado”, afirma. “Isso tudo que estamos vendo no Chile aconteceu se contrapondo ao Estado, não dentro da institucionalidade. Foi uma insurreição popular.”

As motivações chilenas são parecidas com as da Argentina, cuja eleição, ocorrida no último domingo (27), apontou a vitória de Alberto Fernández em primeiro turno. “Isso apresenta uma crítica à política do Mauricio Macri, similar à do Piñera: endividou o país de uma forma terrível, aumentou a pobreza rapidamente e criou um desemprego significativo”, compara.

Uma característica nova nos protestos latinos é o maior espaço dado à questão indígena, que ficou de fora da política chilena. “Na época do Pinochet, os Mapuches foram perseguidos e mortos, além de terem perdido seus territórios. Os governos seguintes deram continuidade a essa saga. Depois de muito tempo, há a ressurgência da pauta indígena”, aponta o professor.

Um exemplo disso foi a derrubada da estátua do colonizador espanhol Francisco de Aguirre, onde estava pichada a palavra “genocida”. No lugar dela, foi posta uma escultura de uma mulher indígena diaguita.

'Milanka', escultura de mulher diaguita posta no lugar da estátua do colonizador. Foto: Reprodução

‘Milanka’, posta no lugar da estátua do colonizador. Foto: Reprodução

Guillermo relata que a presença mapuche reflete uma das consequências principais do neoliberalismo da América Latina: o neoextrativismo, que prega uma apropriação selvagem de dos territórios para uso de coorporações internacionais – com a ajuda do Estado.

“A gente tá vendo isso tanto em São Luís quanto na questão Amazônica de uma forma geral”, compara. “Por isso, a luta dos povos por terra é indispensável. A questão indígena não é secundária na América Latina. As esquerdas têm deixado de lado por muito tempo. Agora, de repente, tem acordado”.

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