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ELEIÇÕES NA UFMA, PROPAGANDA X JORNALISMO E OS ATAQUES AO JORNALISTA ED WILSON ARAÚJO

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26/06/2019

 

As eleições para os cargos de reitor e vice-reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) chegam à reta final como uma das mais disputadas e midiáticas dos últimos anos. A escolha dos dirigentes de um centro de produção de conhecimentos e de soluções para os problemas sociais, um ambiente intelectual que necessariamente precisa debater as questões que afetam o desenvolvimento, deve ir além de cabos eleitorais, das propostas de candidatos e de temas relacionados à gestão universitária.

O uso ostensivo da propaganda eleitoral e de blogs, atuando como linha auxiliar da publicidade dos feitos dos candidatos, marcaram o pleito que ocorre nesta quarta-feira (26). Sem maiores penalidades previstas para abuso de poder econômico ou outras ilegalidades previstas pela lei eleitoral, a resolução do CONSUN (Conselho Universitário) não contempla denúncias feitas por alguns candidatos sobre adversários reproduzindo as mesmas práticas da política partidária. Alguns blogueiros também repetiram métodos adotados durante as eleições de prefeitos, governadores, deputados e vereadores, pautados pelos “patrocinadores” e adotando uma narrativa favorável aos pretensos reitores.

 

AS ELEIÇÕES PARA REITOR E VICE-REITOR DA UFMA ACONTECEM HOJE E ENCERRAM ÀS 21H 30

AS ELEIÇÕES PARA REITOR E VICE-REITOR DA UFMA ACONTECEM HOJE E ENCERRAM ÀS 21H 30

 

O caso envolvendo professor, doutor em Comunicação, Ed Wilson Araújo, presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Maranhão (Abraço-MA), é emblemático. Em pleno exercício profissional, Araújo foi alvo da habitual fúria de parte da blogosfera local, por publicar reportagens, entre elas, uma investigação da Polícia Federal que apura desvios de R$ 4 milhões em obras no campus de Balsas, no sul do Maranhão, até 2015. O jornalismo pressupõe critérios, a prática é assegurada pela liberdade de imprensa, tão necessária à democracia.

Achincalhar reputações com marketing eleitoral simulando atividade jornalística é, no mínimo, desonestidade com os leitores. A UFMA é estratégica para o estado: da formação e qualificação profissional à análise e proposições de políticas públicas para a reversão dos nossos piores indicadores sociais do país. Não custa lembrar que o Maranhão possui a pior taxa pessoas com escolarização superior do Brasil (Semesp/2015).

Leia abaixo, a nota emitida pelo Departamento de Comunicação Social da UFMA, em repúdio aos ataques sofridos pelo professor Ed Wilson Araújo:

Nota de repúdio e de solidariedade do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão

As formas de expressão do jornalismo, mesmo as produzidas de maneiras mais explicitamente opinativas, não podem prescindir do respeito ao fundamento de todo jornalismo, que é a apuração das evidências a sustentar a divulgação de fatos e ideias. É pelo nível de atenção a este princípio que podemos medir a credibilidade e a respeitabilidade do trabalho do profissional.

Há quase cinquenta anos defendemos esse posicionamento diariamente nas salas de aula dos cursos de Comunicação Social e ficamos estarrecidos ao verificar que conteúdo veiculado no último dia 14 de junho pelos blogs: “Daniel Matos” de “O Estado”; “Priscila Petrus: Política, cotidiano, entretenimento e negócios”; “Davi Max: Essa voz jamais se calará”; tenta imputar a um de nossos docentes, o Prof. Dr. Ed Wilson Ferreira Araújo, a pecha de desprezar os princípios do jornalismo e da ética.

A matéria redigida contra o professor Ed Wilson é um exemplo de tudo aquilo que repudiamos em termos da comunicação online atualmente: o ataque a reputações de pessoas e instituições, produzindo desinformação e obnubilando a verdade, o que contribui para a desvalorização do próprio jornalismo, maculando uma das instituições/campos mais significativos na construção/consolidação da democracia: a Comunicação.

Isso tudo em um momento em que a própria universidade pública enquanto instituição está sob escrutínio e até mesmo ataque. O momento rico de expressão da democracia deveria servir para o amplo debate de ideias, não para ofensas pessoais. Desqualificar a forma que ensinamos jornalismo é também abrir precedentes para a imposição de uma educação cada vez menos autônoma e menos libertadora.

É necessário garantir a pluralidade do debate, base para qualquer democracia. Por isso, repudiamos e rechaçamos os ataques ao bom trabalho de investigação jornalística realizado pelo professor Ed Wilson. As afirmações sustentadas em sua matéria devem ser apuradas até o fim – garantido, é claro, o amplo direito à defesa. Reafirmamos nossa defesa inconteste da democracia e do Estado democrático de Direito, que pressupõem a liberdade de opinião/expressão, o princípio da presunção de inocência e a prática de um jornalismo preocupado com a sociedade, as instituições e o futuro de nosso estado

Nosso apoio ao colega enquanto profissional e cidadão, ao mesmo tempo em que mantemos nosso respeito ao processo democrático e à pluralidade de posicionamentos tão saudavelmente presente em nosso departamento, é também um pedido para que o momento de divergências políticas não nos cegue ao que é justo, ao que nos une e ao que é o nosso propósito principal como servidores públicos: o bem comum.

 

FONTE: Buliçoso.

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