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1º Sarau de Axé acontece em São Luís nesta sexta-feira (30)

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Mãe Quebeca. Foto: Divulgação

Fonte: Giovana Kury/Jornal Vias de Fato

Pela primeira vez, São Luís resgatará a cultura ancestral africana e afrobrasileira do Axé. O 1º Sarau de Axé acontecerá nesta sexta-feira (30), a partir das 19h na Casa do Maranhão, no Centro Histórico – e transbordará cultura com apresentações musicais, teatrais e poéticas. Para falar da importância do evento, o Ogã e Abatazeiro José Kleber Pereira é o entrevistado do dia pela Rádio Tambor.

A renda arrecadada com a venda dos produtos será destinada à restauração e preservação do Patrimônio Cultural da Casa Fanti Ashanti – que está organizando o evento – e a entrada é totalmente gratuita. Segundo José, o objetivo é preservar o legado de Pai Euclides, fundador do terreiro localizado no bairro Cruzeiro do Anil, desde 1958. “Os recursos servirão para preservar o local, considerando que os espaços sagrados de matriz africana não recebem subsídio nenhum de governos”, conta.

Líder do terreiro, Mãe Quebeca explica que a restauração vai além da estrutura física da construção – uma vez que foi erguida em área que corre risco de desmoronamento – mas também da preservação espiritual, histórica e da natureza, levando em conta as árvores necessárias para os rituais. “É uma Casa de história, de tradição. O patrimônio guarda uma trajetória de luta, suor, carinho e respeito. Não devemos deixar que isso acabe”, afirma.

Tempos de intolerância

Apesar da histórica aversão a religiões de matriz africana presente no seio da sociedade conservadora brasileira e perpetrada pelo racismo do presidente Jair Bolsonaro, os terreiros nunca deixaram de ser receptivos com todas as pessoas com vontade de presenciar os rituais. “Não tem distinção de raça ou etnia. Elas [as casas] são todas acolhedoras. Os terreiros são todos tolerantes”, diz José.

Ele explica que, na Casa Fanti-Ashanti, está presente tanto o Candomblé quanto o Tambor de Mina. “Na Mina, eu seria o abatazeiro, que toca o abatá. No Candomblé, sou o Ogã, que toca o atabaque. São funções distintas, apesar das duas ajudarem os pais e mães de santo e cultuarem entidades africanas”.

Em ambas as religiões, as manifestações artísticas são o canal direto para os cultuados. O entrevistado conta que os cânticos invocam as entidades e elevam a espiritualidade: “os nossos ancestrais, em tudo eles cantam e dançam”. O sarau é um resgate disso tudo – da cultura, da fé e da tolerância, em falta nos tempos atuais.

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